Sábado, Dezembro 18, 2004

Republiqueta de Bananas

Hoje fui com meu filho no super-mercado. Estacionamos. Um carro ocupava duas vagas para deficientes. Fomos falar com o segurança. "Não é um absurdo que alguem ocupe não só uma como duas vagas reservadas para deficientes físicos?" O segurança do Pão de Açucar não moveu um músculo do rosto. Ficou impassível, apavorado, mudo. Se fizesse um mínimo gesto poderia ser que o meliante que estacionou o carro daquele jeito percebesse, viesse dar escândalo, ameaçasse seu emprego, quem sabe puxasse uma arma.

Este é o Brasil. Uma sociedade que permite qualquer tipo de agressão às regras minimas de civilização. Bons cidadãos talvez sejam a maioria, mas estamos encurralados. É o vale-tudo, o império do egoísmo. Cada um na sua, e eu não tenho nada a ver com isso. Cultivamos a ignorância e o atraso como sinais de soberania nacional. As exceções só confirmam a regra.

Não existe estatística nem discurso oficial que empurre esse lixo para debaixo do tapete. Nessa republiqueta, os bananas somos todos nós, que agimos com civilidade. Brasileiros se matam no trânsito e queimam o próprio território como se fosse inimigo. Temos enormes qualidades, e quem negar isso é um preconceituoso sem perdão. Mas quem manda aqui é o cara que estaciona o carro em duas vagas de deficientes físicos. Talvez seja o caso de criar vagas para deficientes morais.
Sao Paulo SP
05:55UTC @288

2 Comments:

Blogger Bibi said...

Triste, mas verdade. Eu já fico enfurecida com aqueles fulanos folgados sentados em banco especial no metrô: se eu não sento cheia de coisas, porque o folgado senta e não levandta quando há idosos? Ou então o cara que achou ruim quando eu o vi entrando pela catraca se saída para não pagar bilhete e ele achou ruim?
É um absurdo atrás do outro. :(

18 de dezembro de 2004 06:05  
Anonymous Anônimo said...

Poisé, essa é a grande educação que uns acham que possuem, o grande mal das pessoas é achar que a sua conta bancária lhe dá mais direito do que outras pessoas, mas acho que isso é uma questão de caráter pois não podemos generalizar não é.

Cristiano N.
Esteio, RS

18 de dezembro de 2004 14:48  

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